Ciência Psicodélica

Relatório aponta mudança positiva na percepção pública dos psicodélicos

 

Em 1971, com o início da política de Guerra às Drogas e a subsequente proibição não apenas do uso, mas também da pesquisa envolvendo psicodélicos como LSD e psilocibina de cogumelos, essas substâncias foram amplamente estigmatizadas perante a opinião pública.

Apesar de pesquisas desde a década de 1940 já terem demonstrado o potencial terapêutico dos psicodélicos, eles foram considerados perigosos e excluídos do âmbito científico — uma decisão fundamentada em questões políticas e em um clima de pânico moral.

Mais de 50 anos depois, com a proeminência de novas pesquisas e ensaios clínicos, o cenário começa a mudar.

O relatório A Percepção em Evolução de Psicodélicos, elaborado pelo consultor Josh Hardman, explora essa alteração na percepção pública. O documento analisa pesquisas de opinião recentes feitas em quatro países: Estados Unidos, Brasil, Reino Unido e Noruega.

A principal, realizada nos EUA pela MorningConsult em 2023, com 2.203 participantes, revelou que 32% dos adultos entrevistados demonstraram interesse em experimentar psicodélicos como tratamento para problemas de saúde mental. Além disso, a maioria (55%) apoiou o governo dos EUA na promoção de estudos sobre o assunto.

O Brasil apresentou a segunda maior amostra, em uma pesquisa realizada pelo Datafolha, em 2023, com 2.016 brasileiros. De acordo com o levantamento,  52% dos entrevistados estão abertos a tratamentos com psicodélicos, enquanto 43% resistem a essa ideia.

Em 2021, uma pesquisa realizada com 1.763 britânicos pela YouGov/PsiloNautica revelou que 55% deles expressaram apoio a mais estudos sobre tratamentos com psilocibina. Enquanto, na Noruega, 51% consideram experimentar psilocibina.

“O acúmulo de evidências sobre o potencial terapêutico de psicodélicos vai dando fim ao ostracismo científico em que essas drogas foram lançadas pela Guerra às Drogas declarada em 1971 por Richard Nixon, que arrastou a comunidade internacional para um proibicionismo sem justificativa”, escreveu o jornalista Marcelo Leite, no blog Virada Psicodélica, da Folha de S.Paulo.

O relatório destaca a necessidade de intensificar os esforços para educar tanto o público em geral quanto os especialistas sobre os reais usos e limitações dos psicodélicos. É crucial compreender que essas substâncias não são nem extremamente perigosas nem soluções universais para todos os problemas de saúde.

Foto: Karolina Grabowska/ Pexels

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