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Por que o alcoolismo está aumentando entre as mulheres

 

A empresária norte-americana Charbonier, 35 anos, gostava de beber para tornar as coisas mais divertidas. Segundo ela, o álcool a ajudava a conhecer novas pessoas e a dançar sem inibição. Quando decidiu pausar o uso para tentar perder peso, se assustou com os sintomas de abstinência: desejos intensos, aumento da ansiedade e tremores periódicos nas mãos. “Fiquei completamente chocada. Eu não achava que tinha um vício até então”, revelou ela, em uma reportagem da National Geographic.

O caso da empresária não é incomum. De acordo com um estudo publicado no JAMA Network Open, apesar dos homens morrerem mais por conta do uso de álcool, a diferença está diminuindo cada vez mais rápido nos Estados Unidos.

Desde 2018, o número de mortes do tipo em mulheres começaram a crescer 15% ao ano, em comparação com um aumento de 12,5% para os homens.

De acordo com Dhruti Patel, especialista em psiquiatria do vício da Faculdade de Medicina Miller da Universidade de Miami, diferente das drogas mais estigmatizadas, o álcool é mais bem aceito, ajudando a diminuir inibições e a desestressar. “É legal, facilmente disponível e não é um tabu na sociedade, por isso as mulheres se sentem menos preocupadas em beber”, acrescentou a especialista à National Geographic.

Como é o consumo de álcool no Brasil

No Brasil, a situação não é diferente. De 2010 a 2020, houve um aumento anual de 4,25% no consumo prejudicial de álcool entre mulheres. No ano de 2020, cerca de duas mulheres perderam a vida a cada hora devido ao uso nocivo da substância. Isso resultou em um total de 15.490 óbitos de mulheres no Brasil atribuídos a causas relacionadas ao álcool.

O grupo etário mais impactado foi o das mulheres com 55 anos ou mais, representando 70,9% do total, seguido por mulheres de 35 a 54 anos (19,3%), de 18 a 34 anos (7,3%) e de 0 a 17 anos (2,5%), segundo dados do levantamento feito pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), em 2023.

Conforme observou à Agência Brasil o psiquiatra Arthur Guerra, presidente do Cisa, as consequências do uso de álcool nas mulheres podem ser distintas, variando de acordo com o ciclo menstrual, a gravidez e o período de amamentação. Questões sociais, como a maternidade e a participação no mercado de trabalho, também exercem influências nos impactos enfrentados por elas.

Guerra ressaltou que as mulheres enfrentam também outras influências hormonais. Durante a fase pré-menstrual, conhecida como TPM, por exemplo, algumas mulheres tornam-se mais sensíveis, recorrendo ao álcool como um meio de aliviar os sintomas.

A socióloga Mariana Thibes, coordenadora do Cisa, ressalta que o aumento no consumo de bebida alcóolica também  tem um componente cultural.

“O acúmulo de trabalho dentro de casa, fora de casa, cuidar dos filhos, da profissão, do trabalho doméstico. Esse aumento das pressões acaba levando muitas mulheres a procurar no álcool uma espécie de recurso para relaxar. No período da pandemia, vimos a hastag #winemom viralizar, com muitas mães postando fotos com taça de vinho no fim do dia, como uma espécie de recompensa depois daquele dia duro de acúmulo de jornada. Esse estresse que as mulheres passaram a sofrer nos últimos anos também pode ajudar a explicar o aumento do consumo abusivo de álcool”, afirmou Thibes à Agência Brasil.

Quais são os sintomas de alcoolismo

Ao contrário do abuso de álcool, a dependência é reconhecida como uma doença pela Organização Mundial da Saúde. A socióloga Mariana Thibes observa que, em geral, leva cerca de uma década para progredir do consumo abusivo para a dependência.

Essa forma de dependência é crônica e diversos fatores podem ajudar para seu desenvolvimento, como quantidade e frequência de uso de álcool, condição de saúde, e fatores genéticos, psicossociais e ambientais.

Entre os fatores tipicamente associados aos sintomas da dependência, estão:

1) Intenso anseio por consumir bebidas alcoólicas.

2) Dificuldade em manter o controle do consumo, resultando na incapacidade de interromper a ingestão após o início.

3) Persistência no uso, mesmo diante de consequências adversas, com priorização do consumo em detrimento de outras responsabilidades e atividades.

4) Desenvolvimento de tolerância, exigindo doses mais elevadas para alcançar o mesmo efeito ou experimentando uma diminuição do efeito com doses anteriormente eficazes.

5) Eventual presença de sintomas de abstinência física, como sudorese, tremores e ansiedade quando a pessoa está sem álcool.

Diante desse cenário, é crucial compreender que a dependência alcoólica é uma doença complexa. A conscientização sobre esses aspectos é fundamental para abordar eficazmente o problema e promover uma abordagem mais compassiva e informada em relação ao alcoolismo.

***

Lembre-se: a informação online é um recurso valioso, mas não substitui a consulta com um profissional.

Se você ou alguém que conhece está enfrentando um processo de dependência química ou depressão de difícil tratamento, lembre-se: existe suporte. Para obter mais informações e orientações sobre onde encontrar ajuda, entre em contato conosco.

Juntos, podemos promover um ambiente mais saudável e consciente.

Imagem: Maksim Goncharen/ Pexels

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