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Depressão resistente: maior estudo com cetamina atesta eficácia da substância

Imagem: Ali Ahmed/ Pexels

 

A cetamina tem se mostrado, cada vez mais, um medicamento eficaz e rápido no tratamento da depressão resistente a outros tipos de tratamento.

Em 2019, a Anvisa regulamentou no Brasil o uso do Spravato, um spray nasal patenteado pela empresa Janssen. Trata-se de uma variação da cetamina, que chega a R$ 3 mil a unidade.

No entanto, a própria cetamina, usada amplamente como anestésico desde a década de 1960, também é usada para depressão de forma off-label no Brasil — ou seja, seu uso não está previsto na bula, mas pode ser indicado por um médico. Diferente do Spravato, a unidade da medicação custa aproximadamente R$ 50.

Essa versão com menor custo foi avaliada por uma pesquisa publicada no British Journal of Psychiatry, na qual pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW Sydney), na Austrália, descobriram que mais de um em cada cinco voluntários alcançou a remissão total de seus sintomas de depressão resistente após um mês de injeções de cetamina duas vezes por semana, enquanto um terço teve seus sintomas melhorados em pelo menos 50%.

“Neste estudo, descobrimos que a cetamina foi claramente melhor do que o placebo — com 20% dos participantes que se trataram com cetamina relatando que não tinham mais depressão clínica, em comparação com apenas 2% no grupo placebo. Esta é uma diferença enorme e muito óbvia, e traz evidências definitivas para o campo, que só teve estudos do tipo com números menores de participantes”, explicou a professora Colleen Loo, coordenadora do estudo.

Com 179 voluntários, o estudo é considerado o maior até o momento a comparar a cetamina com o placebo no tratamento da depressão grave. Outra diferença é que os avaliadores fizeram aplicação subcutânea da substância, além de aceitarem pessoas que já tinham passado por eletroconvulsoterapia (ECT) — técnica que, em outra pesquisa, demonstrou ser tão ou menos eficiente do que a cetamina.

Além dos resultados positivos, os pesquisadores chamam atenção para a diferença exorbitante de preço da escetamina nasal e da cetamina subcutânea (que também pode ser aplicada na veia). Tanto na Austrália, onde o estudo foi feito, quanto no Brasil, o custo proibitivo do primeiro pode afastar muitas pessoas que se beneficiariam do tratamento.

“Se você considerar que muitas dessas pessoas podem passar meses no hospital, ou ficarem incapazes de trabalhar, além de desenvolver ideação suicida, o tratamento com cetamina é bastante econômico quando você vê o quão incrivelmente rápido e poderoso ele funciona”, disse a professora Loo. “Vimos pessoas voltarem a trabalhar, estudar ou deixar o hospital por causa desse tratamento em questão de semanas.”

Imagem: Ali Ahmed/ Pexels

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