pexels-ivan-larin-77752766-10189430-960x675
Cetamina

A transformação de indígenas canadenses através da terapia com cetamina

 

Em 2018, Emmy Manson foi eleita diretora de saúde e bem-estar do povo Snuneymuxw, uma etnia indígena situada no território de Vancouver, no Canadá. 

Sentindo-se esgotada pela pandemia em 2020, ela participou de um programa de terapia em grupo de doze semanas com cetamina, organizado pela ONG canadense Roots to Thrive. A experiência foi transformadora e, em 2021, Manson colaborou com a instituição para financiar sessões de terapia assistida por cetamina para membros de sua comunidade. 

Dez membros participaram de três sessões de cetamina e encontros online semanais durante três meses. Em 2023, Manson e seus colaboradores publicaram um artigo sobre o processo no Journal of Psychoactive Drugs.

Em entrevista à newsletter Microdose, do Centro de Ciência dos Psicodélicos da Universidade da Califórnia, Manson afirma: “A cetamina mudou minha vida. Eu costumava manter isso em segredo porque não queria que as pessoas me julgassem, mas agora não escondo mais. Se alguém que eu amo quer cura, conto minha história.”

Segundo a agente de saúde, algumas pessoas ficam chocadas e outras curiosas com sua história. “Se eu tivesse diabetes ou câncer, faria qualquer coisa para melhorar, e é assim que penso sobre psicodélicos; vejo isso como um remédio.”

Manson conta ainda que cerca de 25 ou 30 pessoas já participaram dos processos terapêuticos com cetamina. “Fiquei surpresa quando o ancião de 75 anos quis participar, mas depois ele disse que foi a coisa mais profunda que já havia experimentado. Ver meus anciãos encontrarem paz e permitir que seu ‘eu interior’ se cure tem sido o melhor; vi muitos anciãos morrerem com traumas e dores”, contou. 

Segundo Mason, seu próximo objetivo é pensar em como trazer os tratamentos feitos com psicodélicos para nossos jovens de sua comunidade. “Sei que não é adequado para todos, mas se houver pessoas que sentem que funciona, talvez elas não precisem esperar até os 40 anos para realmente encontrar alegria e paz, para se libertar de seus traumas”, disse.

Manson contou também sobre sua relação com a ONG Roots to Thrive. “Percebi que eles operam a partir de ensinamentos que se alinham com a minha visão de mundo indígena. Então, a melhor revelação disso, para mim, foi que esses tipos de relacionamentos podem ser vantajosos para ambos os lados”, disse.

“Você pode trazer suas verdades sobre desafios ou suas dores como uma pessoa indígena, mas isso não significa que você não pode confiar em ninguém. Isso tem sido útil não apenas no meu trabalho e carreira, mas também nas minhas amizades.”É importante lembrar que tratamentos com cetamina, como este feito pelo povo Snuneymuxw, precisam ser feitos em ambiente clínico e requerem acompanhamento médico contínuo. 

Imagem: Ivan Larin/ Pexels

Posts relacionados

Cetamina

UOL VivaBem: “Após testar 20 remédios, ela tratou depressão com spray nasal de R$ 2.000”

O VivaBem do UOL retratou a história de pessoas diagnosticadas com depressão grave que fazem tratamento com escetamina também conhecida como Spravato — uma variação comercial […]

Cetamina

Cetamina como antidepressivo: benefícios e riscos, na ‘National Geographic’

A diretora artística Renee Thomas, de 45 anos, poderia nem estar viva se não fosse pela cetamina. Durante 25 anos, ela enfrentou crises tão profundas de […]

Cetamina

Cetamina: por que é importante usar com acompanhamento médico

Embora originalmente desenvolvida como anestésico, na década de 1960, a cetamina ganhou popularidade como substância de uso social (ou recreativo), devido às suas propriedades dissociativas e […]

MARCAR sua triagem

marque sua triagem sem custo

Calendar is loading...
Powered by Booking Calendar





Abrir bate-papo
Olá! Podemos ajudá-lo?